A Energia na economia e no consumidor - A grande (des)ilusão

Portugal tem sido apresentado como um modelo a seguir na aposta nas energias renováveis. Efetivamente, os dados oficiais da DGEG revelam que, nos últimos dez anos (2005 a 2014), Portugal reduziu a sua dependência energética de 88,8% em 2005 para 74,4% em 2014. É notável tal redução, mesmo considerando que 2005 foi o ano mais seco dos últimos 20 anos. Mas, não tenhamos dúvidas, a tendência consolidada é para uma redução da dependência energética nacional. E isso deveu-se às energias renováveis com a eólica a ter destaque nessa evolução. A energia eólica não é a maior fonte renovável em Portugal. É a biomassa, indiscutivelmente segundo dos dados oficiais.
 

Mas será que isso em si mesmo foi útil para a economia e para o consumidor? E onde é que tal evolução foi assim tão grandiosa comparada com outros países da EU-28?
 

Tomemos o caso da Suécia. É um país, tal como o nosso, sem recursos de gás natural, de petróleo ou de carvão (tal como nós, importa e paga os combustíveis fósseis que consome), com 9,5 milhões de habitantes e ambos com mais de 39% dos seus territórios cobertos por floresta. Mas, quando comparamos as duas realidades, em 2014, Portugal mediu uma dependência energética de 74,4% e a Suécia apenas 31,9%! Menos de metade! Porquê? Porque a Suécia apostou na biomassa.
 

No indicador da intensidade energética da economia (que mede o consumo de energia versus o PIB), Portugal teve em 2014 um valor de 124 tep/M€. A Suécia, um país com um clima muito mais exigente no consumo energético, ainda assim teve um consumo menor do que o nosso, 109 tep/M€. Mais uma vez notável o desempenho sueco. Imagine-se qual seria o valor a verificar em Portugal se tivesse o clima da Suécia e o conforto térmico das habitações suecas, cujo consumo de energia primária per capita foi de 5 tep/habitante e em Portugal apenas 2,2 tep/habitante, com os mesmos 9,5 milhões de habitantes.
 

Quanto ao nível de emissões por habitante, ao nível dos países da UE-28, verificou-se que Portugal apresentou bom desempenho com um valor de 6,2 tonCO2/habitante, um dos mais baixos, cerca de 30% abaixo do valor médio da UE-28. Mas a Suécia, apesar do seu rigoroso clima, conseguiu apenas 5,9 tonCO2/habitante. Como consegue tal proeza? Com a biomassa! Naquele país, a cada habitação não chega a rede de gás, chega sim a rede de água quente, que provem de centenas de pequenas e médias centrais elétricas a biomassa.
 

Em matéria de cumprimento da Diretiva Europeia das Energias Renováveis, Portugal registou em 2014 o seu valor mais elevado dos últimos 40 anos com 27,0% do seu consumo final de energia mas ainda não atingiu os 31% de meta obrigatória a conseguir até 2020, o que a ser conseguido será com muita dificuldade. A Suécia registou um valor recorde de 52,6%! O dobro do nosso sucesso nas energias renováveis! Como conseguiu tal proeza? Com a Biomassa!
 

Por fim, a constatação de uma desilusão (que os mais sábios em energia sempre anunciaram): entre 2005 e 2014 o preço médio de importação de eletricidade para Portugal passou de 0,047€/kWh para 0,048€/kWh. Praticamente se manteve. Mas, nesse período, os preços médios nos consumidores, doméstico e industrial, aumentaram quase 60% para 0,220€/kWh e para 0,144€/kWh, respetivamente, em 2014. Como explicar tal situação? O preço de importação manteve-se, mas nos consumidores subiu 60%. É fácil e indiscutível: foram integrados no preço final de eletricidade na economia, os custos de todas estas políticas energéticas. Na Suécia, em 2014, os preços médios nos consumidores, doméstico e industrial, foram de 0,190€/kWh e de 0,085€/kWh, respetivamente e o mais baixo para a indústria, de toda a EU-28. Em Portugal várias indústrias fecharam devido aos elevados custos da energia, como o caso da Solvay.