Onde estamos no cumprimento da meta de eletricidade renovável em 2016?

Portugal comprometeu-se ter em 2020, pelo menos, 31% de fontes renováveis em todos os usos de energia. Esta meta vem composta pela participação das fontes renováveis nos diferentes usos da energia. Assim, a eletricidade deverá contribuir com 60% os transportes com 10% e o aquecimento e arrefecimento com 32%. Estes valores têm de ser ponderados pelo correspondente peso que cada utilização tem.
 

Vou apenas focar-me na eletricidade, apesar de ter uma noção bastante correta de como os outros usos se estão a comportar neste aspeto, não me compete, enquanto APREN, pronunciar-me sobre estes. Ter 60% de eletricidade de origem renovável do total do consumo elétrico em Portugal em 2020 é o que vou analisar.
 

De acordo com os últimos dados normalizados, isto é nivelados para indicadores de pluviosidade e de eolicidade médios, publicados pela DGEG em 2015, atingimos o valor de 52,2% de renováveis na eletricidade, o que indica que estamos longe do objetivo. É difícil chegar aos 60%, mas com a colaboração de todos os intervenientes, Governo, entidades licenciadoras e promotores, creio que será possível, vejamos como.
 

Em 2015 o consumo de eletricidade em Portugal foi de 52.7 TWh, admitindo um crescimento do consumo de 0.5% ao ano, o seu valor em 2020 será de 54 TWh, pelo que as renováveis terão de atingir uma produção de 32.4 TWh. Em 2015 foram 27.5 TWh repartidos da seguinte forma: hídrica - 11.55 TWh, eólica ‑ 11.98 TWh, solar ‑ 0.80 TWh, e biomassa ‑ 2.98 TWh e geotermia  ‑ 0.2 TWh.
 

Admiti que a situação relativa às centrais de bioenergia e de geotermia se manterá até 2020, aliás qualquer evolução no sentido de aumento vem reforçar a situação final, permitindo a cobertura de algum desvio negativo.
 

Até 2020, está prevista a entrada em operação das centrais hidroelétricas de Baixo Sabor, Foz Tua, Venda Nova III, Salamonde II, Paradela II, Girabolhos e duas pequenas centrais hídricas. A maior parte das grandes centrais é reversível e dimensionada para produzir eletricidade de ponta, estimando que a contribuição líquida destas centrais seja de 1.07 TWh em ano médio.
 

A contribuição adicional das centrais eólicas, ainda em construção ou em concretização, num total perto de 700 MW, vai acrescentar mais 1.88 TWh. Ficam pois a faltar 1,95 TWh para o objetivo dos 60%, que devem provir de centrais solares, 200 MW em instalações de micro e mini geração e cerca de 870 MW em centrais de média ou larga dimensão.
 

No papel, parece fácil, mas na prática é outra coisa. Há ainda muitos “ses” para alcançar o objetivo, que representa mais de 3.5 mil milhões de euros de investimento. É preciso pois que os promotores não desistam dos seus projetos, que as entidades licenciadoras não criem obstáculos e entraves desnecessários que atrasem o desenvolvimento dos mesmos, que o Governo continue a apostar no país e no seu potencial em usar os seus recursos endógenos renováveis, criando um ambiente regulatório estável que só irá beneficiar o setor produtivo no curto e médio prazo.
 

Continuemos pois a fazer o nosso trabalho, trilhando o árduo caminho ainda a percorrer, de forma segura e séria como sempre temos feito, por forma a cumprirmos a nossa parte, criando emprego, ajudando Portugal a aumentar a independência energética e tendo sempre presente que:
 

Portugal precisa da nossa energia.